Resumo
Este ensaio investiga o fenômeno do afeto parasocial no contexto da cultura digital atual, articulando-o à problemática mais ampla da natureza do mundo digital e de suas implicações ontológicas, afetivas e políticas. Partindo da recusa da dicotomia simplificadora entre "real" e "virtual", o trabalho sustenta que o digital não constitui uma esfera separada da vida social, mas uma matriz de mediação que reorganiza profundamente as formas de relação, reconhecimento e experiência subjetiva. Nesse horizonte, o afeto parasocial, caracterizado por vínculos emocionais assimétricos entre sujeitos e figuras midiáticas, é analisado não como mero desvio psicológico, mas como operador estrutural das sociabilidades mediadas por plataformas. A partir de autores como Foucault, Horton e Woh, argumenta-se que a intensificação desse tipo de vínculo decorre tanto das transformações tecnológicas quanto das lógicas econômicas e políticas que regem o capitalismo de plataforma e a economia da atenção. O ensaio examina ainda como algoritmos, métricas de visibilidade e estratégias de engajamento produzem uma arquitetura da intimidade voltada à captura e monetização do afeto, convertendo necessidades humanas legítimas de pertencimento e reconhecimento em ativos econômicos e dispositivos de governança comportamental.
Como citar
SILVA, Atila Barros da. A FABRICAÇÃO ALGORÍTMICA DO AFETO NAS RELAÇÕES PARASOCIAIS DA CULTURA DIGITAL. Mover – Ciências e Humanidades, [s.l.], [s.n.], 2026.
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