Resumo
Este artigo investiga o croqui como forma de pensar, registrar e produzir conhecimento nos processos formativos em Arquitetura e Urbanismo, compreendendo o desenho à mão livre como linguagem sensível, prática reflexiva e dispositivo pedagógico. Inspirado na Filosofia de Jacques Derrida, Gilles Deleuze e Félix Guattari, o estudo desloca o croqui da compreensão enquanto etapa preliminar do projeto de arquitetura para colocá-lo como instância constitutiva do pensamento criativo. O desenho é abordado como gesto atravessado por afetos, memórias e experiências, no qual pensar e traçar se realizam simultaneamente, produzindo sentidos em constante transformação. Nesse artigo, discute-se o desenho à mão como forma de inscrição do pensamento em movimento, evidenciando sua dimensão biográfica, afetiva e sensível. Além disso, é abordado os processos de desconstrução e abstração como movimentos operacionais do desenho de observação, entendendo-o como prática interpretativa que não reproduz a realidade, mas a reinscreve, criticamente, a partir da experiência perceptiva. No plano metodológico, apresenta-se uma oficina de desenho de observação em formato coletivo, estruturada a partir de dispositivos sensíveis, como música, materiais, ambiente, interações e atmosferas. Essa proposta tensiona os métodos tradicionais baseados na perspectiva e na mensuração, privilegiando abordagens fenomenológicas e experimentais, a partir da observação da Casa da Memória Arthur Dalmasso, na cidade de Teresópolis-RJ.
Como citar
MORAIS, Ecléa Pérsigo. O CROQUI COMO FORMA DE PENSAR E REGISTRAR. Revista Mover – Ciências e Humanidades. Vol.1 No.1 2026, 2026.
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