Resumo

O artigo analisa o conceito de Panóptico Digital Universal como uma reconfiguração contemporânea do modelo foucaultiano de vigilância, articulando-o às dinâmicas da inteligência artificial, dos algoritmos e da economia dos dados. Partindo das reflexões de Michel Foucault sobre o poder disciplinar, o estudo demonstra como a vigilância atual deixa de ser localizada e visível para tornar-se difusa, automatizada e permanente. Nesse contexto, a vida social é continuamente traduzida em informação, alimentando sistemas preditivos que modulam comportamentos, decisões e formas de subjetivação. O trabalho dialoga com as contribuições de Nick Bostrom, Carlo Rovelli e Stephen Hawking, ampliando a análise para dimensões ontológicas e epistemológicas, especialmente no que se refere à ausência de evidências observacionais e à mediação algorítmica da realidade. Argumenta-se que a vigilância contemporânea não opera apenas sobre os corpos, mas sobre as próprias condições de emergência do visível, do pensável e do possível. O artigo evidencia, ainda, a consolidação de uma biopolítica digital e a progressiva reconfiguração da autonomia, convertida em liberdade administrada. Por fim, defende a necessidade de uma crítica filosófica capaz de interrogar os fundamentos do poder algorítmico, propondo caminhos para a construção de tecnologias mais transparentes, democráticas e emancipatórias.

Como citar

SILVA, Atila Barros da. O CONCEITO DE PANÓPTICO DIGITAL UNIVERSAL COMO UMA RECONFIGURAÇÃO CONTEMPORÂNEA DO MODELO FOUCAULTIANO DE VIGILÂNCIA. Revista Mover - Ciências e Humanidades. Vol.1 No.1 2026.

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