Resumo
Este artigo analisa o processo de urbanização do campo e o consumo de bens e valores urbanos pelos trabalhadores rurais, compreendendo-o como um fenômeno complexo, atravessado por dimensões econômicas, sociais, culturais e simbólicas. Partindo de uma abordagem crítica, o estudo discute como a expansão da racionalidade urbano-industrial redefine modos de vida, formas de trabalho, padrões de sociabilidade e identidades no meio rural. O consumo é interpretado não apenas como prática material, mas como mediador de pertencimento, reconhecimento social e construção de subjetividades, frequentemente associado ao endividamento, à precarização laboral e à intensificação das desigualdades internas. O texto problematiza os impactos da homogeneização cultural, da transformação dos hábitos alimentares e da erosão dos saberes tradicionais, destacando suas implicações para a saúde, a sustentabilidade ambiental e a continuidade intergeracional. Ao mesmo tempo, evidencia as contradições do processo, reconhecendo a emergência de movimentos de resistência, ressignificação cultural e valorização territorial. Defende-se a necessidade de políticas públicas integradas, baseadas na valorização da agricultura familiar, na educação crítica e na participação comunitária, capazes de promover um desenvolvimento territorial socialmente justo e ambientalmente responsável. Conclui-se que enfrentar os efeitos do consumo urbano no campo exige a superação de abordagens individualizantes e a construção de projetos coletivos que articulem dignidade, autonomia e justiça socioespacial.
Como citar
MORAIS, Ecléa Pérsigo; SILVA, Atila Barros da. URBANIZAÇÃO, CONSUMO E DESIGUALDADES NO ESPAÇO RURAL. Revista Mover - Ciências e Humanidades. Vol.1 No.1 2026.
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