Resumo
Este ensaio indaga o paradoxo da força irresistível como operador conceitual para compreender as reconfigurações contemporâneas do poder, da subjetividade e da realidade. Partindo de sua formulação lógica clássica, a impossibilidade de coexistência entre uma força absolutamente irresistível e um objeto absolutamente inamovível, o estudo desloca o problema para o contexto da vigilância digital, da simulação da realidade e das hipóteses cosmológicas de um universo encapsulado. A análise articula contribuições de Foucault, Deleuze e Kant para examinar como as estruturas contemporâneas de controle operam de maneira difusa, algorítmica e internalizada, configurando um Panóptico Digital Universal. Nesse cenário, a resistência não desaparece, mas é frequentemente absorvida e reconfigurada pelo próprio sistema que pretende contestar. A observação problematiza as implicações teológicas e éticas de um cosmos finito e possivelmente fechado, questionando a noção de transcendência e os fundamentos da autonomia humana.
Como citar
SILVA, Atila Barros da. O PARADOXO DO ABSOLUTO NA SOCIEDADE DE CONTROLE. Revista Mover - Ciências e Humanidades. Vol.1 No.1 2026.
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