Resumo
Este artigo analisa a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) como políticas públicas de reparação educacional, desenvolvimento humano e promoção de justiça territorial no município de Teresópolis, Rio de Janeiro. Partindo do reconhecimento da exclusão escolar como fenômeno estrutural, vinculado às desigualdades socioeconômicas e territoriais, o estudo problematiza as potencialidades e limites dessas iniciativas no enfrentamento das interrupções escolares históricas vivenciadas por populações rurais e periféricas. A pesquisa adota abordagem qualitativa e interpretativa, fundamentada na análise de dados socioeconômicos oficiais, documentos institucionais e transcrições de aulas realizadas em 2025, buscando compreender como práticas pedagógicas dialógicas e contextualizadas podem contribuir para processos emancipatórios. Argumenta-se que, embora a EJA e o Encceja representem importantes instrumentos de garantia do direito à educação ao longo da vida, sua efetividade depende da articulação entre políticas educacionais, justiça social e reconhecimento dos saberes populares. No contexto teresopolitano, marcado por contrastes entre desenvolvimento e vulnerabilidade, tais programas assumem papel estratégico na reconstrução de trajetórias interrompidas, na ampliação da autonomia e na reafirmação da dignidade humana por meio do acesso ao conhecimento.
Como citar
LIRA, Laís; SILVA, Atila Barros da. EJA E ENCCEJA NA FORMAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, RECONSTRUÇÃO DE SABERES, CIDADANIA E INCLUSÃO EDUCACIONAL. Revista Mover - Ciências e Humanidades. Vol.1 No.2 2026.
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