Resumo

Este ensaio indaga, a partir do arcabouço teórico de Michel Foucault (biopoder, panoptismo, heterotopia, parresía), as implicações existenciais e políticas de um hipotético “aviso prévio” de que o mundo acabará em 16 de abril. Articulam-se também as contribuições de Zygmunt Bauman (modernidade líquida) e David Harvey (neoliberalismo como restauração do poder de classe). Argumenta-se que, diante da certeza do fim, o sujeito contemporâneo não se entregaria à revolta ou ao hedonismo, mas sim a um aprofundamento da rotina, continuaria trabalhando, consumindo e obedecendo, pois foi disciplinado para não saber o que fazer com sua liberdade. O biopoder, que se organizara para administrar a vida, depara-se com seu limite lógico; o neoliberalismo persiste em acumular mesmo sem futuro; a modernidade líquida revela que o mundo sempre esteve acabando. O aviso prévio não é uma hipótese contrafactual, mas uma descrição do presente: as catástrofes ecológicas, sociais e políticas já são avisos sistematicamente ignorados. Em tom cáustico, o ensaio conclui que o mundo findará não com estrondo, mas com o ruído ensurdecedor do mesmo de sempre, restando apenas o riso irônico como postura epistemológica honesta.

Como citar

SILVA, Atila Barros. AVISO PRÉVIO PARA O FIM DO MUNDO. Revista Mover - Ciências e Humanidades. Vol.1 No.2 2026.

Referências

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